30 novembro 2010

Não adianta usar e depois, quando o efeito passar, ficar com aquela cara de trakinas. O grande lance é não usar!



Não estou aqui pregando recuperação a ninguém. Mas, vou  sempre  falar do nosso poder de escolha diante da vida. Podemos ser os melhores ou os piores. 
Podemos nos conformar com o manjar  ou ficarmos apenas recolhendo as migalhas. 
Será que somos fracos demais, se durante o percurso de recuperação, tropeçarmos? Não, não somos. Nos tornamos fracos, quando desistimos de nós mesmos e dos nossos ideais. 
Somos fracos, quando sabemos que portamos uma doença incurável, e insistimos em ir mais adiante em nossos passos. Sempre rumando a beira do precipício.
Somos fracos, quando esquecemos o mal que as drogas podem nos fazer. Abrimos as portas para elas, como se de repente estivessemos esquecido todo o sofrimento que um dia ela nos causou. 
Somos fracos, quando caímos e não estendemos as nossas mãos, pedindo ajuda antes de nos detonarmos de novo, de novo e mais uma vez. 
Somos fracos, quando cristalizamos  nossas mentes, e insanos  achamos,  em pleno auto engano, que um dia controlaremos o que é incontrolável. 
Nos tornamos perdedores, quando apostamos todas as nossas expectativas nas drogas, abdicando de nós mesmos. 
Nos tornamos fracassados, quando não conseguimos sermos humildes suficientemente para aceitarmos que, quanto mais alto a droga nos levar na partida, mais  baixo ela nos deixará na volta.
Nos tornamos farrapos humanos, quando perdemos a nossa capacidade de lutar pela nossa própria vida e independência.
Somos fracos, quando colocamos o uso de drogas acima de tudo e todos... 
Quando permitimos que nossa dignidade se espalhe pelo chão, por causa de um punhado de veneno. 
Olhamos a nossa vida passar, e nos perguntamos, que tipo de amor doentio é esse que temos pelas drogas, que nos dá prazer por alguns minutos, e depois nos deixa no chão, agonizando.
Somos fortes quando admitimos nossa fraqueza.
Somos fortes quando pedimos ajuda, com lágrimas nos olhos.
Somos fortes quando descobrimos e admitimos que não sabemos viver. E, que tudo que sabemos da vida até agora, nos leva a usar drogas.
 Somos fortes quando admitimos que vivemos para usar e usamos para viver.
Somos fortes quando aceitamos a nossa incapacidade de controlar o uso de droga.
Ao nos sentimos fracassados, estaremos prontos, esse é o alicerce.
Será que vale a pena levar uma vidinha de merda, onde nada muda, nada cresce nem floresce?
Onde as pessoas são sempre aquelas mesmas  de sempre, e o  papo também é o mesmo... Onde está a boa? A mais servida, quem caiu, quem rodou, NADA MUDA.... 
Hoje, sei que, lá no fundo, você sabe que tem uma escolha. 
Para ficar limpo, é preciso ter coragem de dizer não a si mesmo. Abrimos mão de algo tão importante, (segundo a nossa concepção de adicto na ativa), para mais tarde, desfrutarmos de liberdade. Uma liberdade que não tem preço. 
Hoje, não vendo mais os meus sonhos, e a minha capacidade de escolher almejar  dias melhores.
Hoje, luto pela minha vida, todos os dias. Não sou escrava de nada e nem de ninguém. 
Hoje, eu perdi o direito de magoar quem eu amo, e que tanto me ama também. 
Hoje, por mais que eu sinta vontade de usar, sei que ela passará.
Hoje, eu me amo, me adoro e não sei viver sem mim. 
Não mereço mais estar sentada naquela calçada, a espera de uma dose. Não preciso mais passar por isso. Sei que eu tenho escolha, e você também!
Não adianta usar e depois, quando  o efeito passar, ficar com aquela cara de trakinas. O grande lance é não usar! Pois, quando usamos, liberamos a obsessão e compulsão novamente.
Amigo, usou perdeu!Mas se recaiu, volte logo para a recuperação. Está esperando o que? Um milagre acontecer sem nenhum esforço? Filho, Deus realmente faz milagres, mas você tem que fazer a sua parte!



23 outubro 2010

CARTA DE DESPEDIDA ÀS DROGAS



Meu primeiro e arrebatador amor... Preciso dizer-lhe que não posso mais levar adiante essa paixão doentia e devastadora, que me consome, maltrata e me destrói...
Fiz de tudo para ficar ao seu lado.
Por você eu mataria... Morreria.
Fui até ás ultimas conseqüências... Por você.
Rastejei, transformei-me em um farrapo humano.
No início, você mostrou-se tão carinhosa, solidária e companheira de todas as horas. Mas, quando você me viu ali, tão vulnerável, tão dependente de ti, tu me abandonastes...
Você jurou-me amor e fidelidade eterna. Mas, sempre me deixou sozinha quando meu dinheiro acabava.
Destruiu minha vida, minhas amizades, meu amor próprio e minha auto-estima.
Eu te procurava por toda a parte e faria qualquer coisa para tê-la, nem que fosse um pouquinho, apenas por alguns instantes.
Não a culpo por nada, eu que te quis de maneira compulsiva e desmedida.
Eu passava por cima de qualquer um, só para ficar contigo.
E, quando tu ias embora, eu implorava por mais um pouco de você...
Por ti perdi meu senso de limite.
Vendi tudo que tinha para comprar um pouco da sua presença.
Esmolei por apenas um segundo do seu amor.
Eu sentia uma necessidade física e mental de tê-la a qualquer custo.
Tudo que tinha de mais precioso, eu te dei...
Dei-lhe o melhor de mim, o melhor dos meus anos e recebi apenas o pior de você.
Quando você estava comigo, nada mais me importava...
Quanto mais a tinha, mais eu a queria.
Eu só pensava em você e isso me enlouquecia.
Meu amor... Não posso mais prosseguir.
Minha ilusão de controlá-la esvaiu-se.
Certamente, você nunca mais estará sozinha.
Haverá sempre outra pessoa para você hipnotizar e escravizar.
Mesmo te amando assim, louca e desesperadamente... Preciso esquecê-la.
Tentarei seguir sem você. Sei que será difícil, pois você ocupou todos os espaços em minha vida.
Seu amor sugava a minha alma, eu ficava vazia de pensamento e sentimento.
Ficar contigo era muito sofrimento...
Prazer apenas momentâneo.
Toda aquela ansiedade, esperando sua chegada acabava comigo.
Eu queria tê-la logo, depressa! E, quando tu chegavas... Devorava-a em qualquer lugar.Não me importava se as pessoas estavam olhando.
Eu queria mesmo era ter suas sensações que me inebriavam...
Sentir euforia na sua chegada e depressão na sua partida...
Eu ficava horas imaginando meios e maneiras de tê-la ao meu lado, latente em minha mente.
Não fique triste amor... Eu desisti de ti por não mais conseguir levar esse romance à frente.
Por não encontrar mais forças para prosseguir.
Vou embora enquanto ainda existe uma sobre vida em mim,
um lampejo de sanidade, um sopro de esperança.
Perdoe-me se eu a deixei, mas você me usou...
Machucou, mentiu dissimuladamente. Fez de mim um fantoche, um capacho, um brinquedo nas mãos do palhaço...
Vai ser difícil viver sem esse amor arrebatador, que era toda minha vida.
Amar-te demais, foi minha desgraça.
Por favor... Deixe me viver em paz.
Tenho que caminhar sempre em frente, sem olhar para trás.
Sem pensar em você que era toda minha vida!
Não sei como será minha história sem você, mas preciso urgentemente tentar ser feliz, enquanto ainda me resta um pouco de dignidade, e ao seu lado, isso não é possível.
Preciso esquecê-la sem pensar no futuro, apenas seguir...
No início, tudo que eu disser, cada gesto, cada sentimento, pensamento, cada lugar que eu passar, tudo me lembrará você, tentarei superar...
Agora já posso sentir as forças dinâmicas da mudança, bem aqui dentro de mim.
Meu amor... Eu te renuncio por amor á minha vida.
Um dia de cada vez, HOJE, eu te renuncio!


Texto extraído do livro" Drogas o árduo caminho da volta - coragem para mudar!"
Darléa Zacharias

30 setembro 2010

Sou uma adicta, sim!








Na adolescência, me envolvi com o álcool e já na idade adulta, conheci outras drogas. No inicio foi uma lua de mel. Achei que havia encontrado a formula mágica para todos os meus problemas. Usava nos fins de semana, controladamente. Gostava de ficar naquela roda de amigos que usavam para se divertirem. Usava quando queria, até o dia em que comecei a ser usada e a necessidade de uso tornou-se algo mais forte do que eu. A minha vida se transformou em um grande festival de insanidades, e, aos poucos, fui morrendo por dentro. 




Sempre me prometia parar a cada besteira que cometia. Pensava que poderia largar as drogas quando quisesse, até perceber que eu havia me tornado uma dependente, uma adicta. 



Fui internada contra minha vontade em um hospital psiquiátrico. Lá, os médicos me diagnosticaram esquizofrênica, maníaco depressiva e dependente químico, em último estágio. Pedi tudo. Meu casamento, meus filhos e pelas drogas, quase perdi a vida.                                                                                                 Eu me via completamente sem saída. Achava que para mim era o fim. A cada dia, a cada amanhecer, eu necessitava de mais doses para anestesiar a dor de viver e encarar a minha fracassada realidade.



Quando saí da minha última internação, conheci os grupos de mútua ajuda. Lá, encontrei pessoas com diferentes períodos de tempo limpo. Elas estavam sem usar drogas a dias, meses e até mesmo a anos e viviam felizes por isso. Me explicaram que o programa era de identificação. E, que eu poderia me recuperar ali também, junto deles, se quisesse. Falaram-me sem rodeios sobre a doença da adicção. Disseram que ela é progressiva, incurável e fatal, que mata desmoralizando. Me explicaram, que o adicto era todo homem ou toda mulher cuja vida fosse controlada pelas drogas.



Eu nunca havia ouvido falar nesta palavra: ADICÇÃO. Disseram-me que a adicção é a doença da compulsão e obsessão. Para um adicto, uma dose era demais e mil não bastavam. Então, percebi que obsessão era aquela idéia fixa, que me levava sempre de volta a primeira dose, mesmo sem querer, e a compulsão era o que acontecia comigo quando usava alguma substancia que alterasse o meu humor e eu não conseguia mais parar. Percebi que eu era como uma escrava mesmo. Uma REFÉM DO USO.                                                                          


Havia algo de diferente em meu organismo, e eu não sabia muito bem o que era. Mas, sei que de algum modo, eu era diferente das outras pessoas que usavam comigo. Elas conseguiam usar drogas e voltar para suas casas. Retomavam suas vidas, e eu, não conseguia. Vivia sempre querendo mais uma dose para tapar o enorme vazio que as drogas me deixavam na volta. Nada me bastava! Nem um choppinho, nem um baseadinho, nem um tequinho. Tudo que era inho, terminava em ao, sempre! Após conhecer os grupos da mútua ajuda, podia entender o que era. Era uma espécie de alergia mortal as drogas! Perguntei aos membros mais antigos como se contraía aquela doença e me disseram que ninguém sabia ao certo. Nenhum estudo científico poderia explicar como se adquiria a doença adicção. E, que isso era o que menos importava naquele momento. Que o essencial era tratar urgentemente a doença e entender que a recuperação era possível, através dos 12 passos. Naquela altura dos fatos, não  mais me importava saber como tudo aquilo aconteceu. Eu não tinha escolha, ou parava de usar rápido ou morreria dos horrores da adicção ativa. Comecei a voltar as reuniões e vi o primeiro brilho em meus olhos despontar. Recuperei a auto - estima, desejo de mudar e principalmente vontade de viver. Comecei a trabalhar, fiz cursos, recuperei meus filhos, me casei- me novamente... Escrevi um livro, onde conto tudo que passei e está ajudando milhares de pessoas. 


Hoje, sou livre, sou gente e estou de volta a sociedade. Aprendi a me amar e a valorizar cada momento da minha vida, pois ele é único.                                                                 


É possível voltar a viver e ser feliz, basta querer!           


               

29 setembro 2010

A dor é inevitável, mas o sofrimento é puramente opcional.


Viver é tão simples... Mas, ás vezes, PARECE mais fácil complicar, só parece mesmo... 
Existe uma segurança distorcida no sofrimento, que nos parece muito familiar. É muito mais fácil ficar dando murros em ponta de faca, e correndo atrás do próprio rabo, como um cachorro louco, do que abrir mão do velho trilho da destruição e do controle, que tanto nos faz sofrer. 
Se existe uma soma exacta entre números similares, não tem jeito do resultado ficar inexacto. Mas, achamos, que após batermos cabeça, pensarmos incansavelmente até queimar nossas mufas, que conseguiremos um resultado diferenciado. Não... Não podemos mudar o que tiver que ser. Não podemos ficar brincando de Deus, o tempo todo, isso é a  loucura mais desgastante da dignidade. Praticamente um eufemismo da alma. Somos seres humanos limitados, frágeis, confusos, e precisamos agir como tal, para evitarmos mais dor de viver do que já temos. 
Precisamos da fé e de direção divina. Precisamos ficar por alguns instantes quietos,longe do barulho de nossos pensamentos, para que possamos escutar a voz da razão. Aquela voz que muitos chamam de instinto, eu prefiro chamar de voz de Deus...
Se não aquietarmos nossas mentes, e sairmos do meio da confusão, não conseguiremos chegar a lugar nenhum, NUNCA!
Somos mestres em auto sabotagem e auto engano. Pensamos que podemos controlar pessoas e situações. Como podemos pensar assim, se não conseguimos se quer encontrar direção para nossas próprias vidas?
Como calar e acalmar  uma mente obcecada e adoecida pela sequência de pensamentos insanos? Na minha opinião, orando muito. Pedindo ao Deus da compreensão de cada um por fé e sanidade.
Muitas vezes, Deus quer entrar em nossas vidas e comanda-la, mas não permitimos. Fingimos não ouvir sua voz, quando diante de um problema, percebemos que não podemos mais suportar. É nesta hora, que "Ele" está a nos dizer: Deixe essa dificuldade para mim que eu resolvo...Simplesmente não ouvimos. Encaramos tudo com a cara e com a coragem, mas nos falta o essencial para concluirmos nossa missão: A fé! Então preferimos a covardia e o isolamento da perseverança.
Choramos, resmungamos, nos descabelamos e esquecemos que nada é no nosso tempo, mas sim, no tempo de Deus. Nenhuma folha sequer, cai de uma árvore sem que seja da vontade "Dele", isso é fato.
Aí, percebemos que até complicar é complicado demais para nós. O melhor a fazer é aceitar. Admitir que somos impotentes perante coisas, pessoas e lugares. Sair da frente e deixar Deus passar é o mais sensato, sempre! Muitas causar foram ganhas com a rendição. Bater em retirada, nem sempre significa desistência, mas significa preservação da nossa integridade e sabedoria. Não podemos mudar o mundo, só podemos mudar a nós mesmos, se quisermos é claro!
A dor é inevitável, mas o sofrimento é puramente opcional.


Darléa Zacharias






* Texto com direitos autorais

26 setembro 2010

Um dia de domingo qualquer...









Final de domingo, família reunida na sala vendo um filminho, tudo na santa paz! Ah, que maravilha essa qualidade de vida. Mas, nem sempre foi assim... Lembrei hoje daqueles dias de desespero.
Naqueles dias em que eu tentava voltar para minha casa e não conseguia. A alta compulsão em meu organismo, me escravizava, e a obsessão me forçava a usar drogas repetidas vezes, mesmo contra minha vontade.
Eu não tinha escolha, não podia escolher estar sentada no sofá da minha casa, com meus filhos e meu marido, assistindo a Tv. Um programa tão simples para milhões e milhões de pessoas, mas eu não conseguia; Hoje, até ver o chato do Faustão, interrompendo seus convidados no meio de uma resposta é gratificante. Qualquer coisa é melhor do que aquela vidinha medíocre que eu levava.
Gosto muito desse cenário que vejo em minha sala.... Meu marido deitado no sofá predileto dele, onde ninguém pode ficar, pois ele rosna, e eu meus filhos disputando um lugar na poltrona que restou. Gente, isso não tem preço... Essa qualidade de vida e essa vida simples que venho escolhendo a cada dia, é um milagre!
Como sonhei com isso, mas pensava que viver dessa maneira não era para mim... Como invejei aquela vizinha que lavava a calçada as 7 da matina. Eu pensava: Palhaça, está trabalhando igual a uma escrava para nada. Mas, no fundo eu queria fazer o mesmo que ela e não conseguia. Hoje, eu posso ser também um ser humano produtivo dessa sociedade. Posso ser útil, prestativa, esposa, mãe, filha, o que eu quiser...
A liberdade da recuperação me deu isso. Alias, essa foi a única coisa que o programa de 12 passos me prometeu quando cheguei na irmandade a 14 anos atrás. Me disseram que era possível parar de usar, perder o desejo e encontrar uma nova maneira de viver. E, eu acreditei! Bendita hora que acreditei.
Ontem foi sábado. Já faziam anos que eu não me arrumava para sair a sós com o maridão em um sábado a noite. Disse para o meu marido assim: Hoje vamos sair para dançar um pouco. Ele perguntou: Onde? Eu falei: Surpresa!
Bem, me arrumei todinha, e ele também. Entramos no carro, ele deu a partida e perguntou: Para que lado dirijo? Eu respondi: Não sei! rs. Percebemos que ficamos tempo demais fora das pistas e que não conhecíamos mais nenhum lugar bacana para ir. Ficamos especulado, pensando, tentando se lembrar de algum lugar maneiro e nada. De repente, saí com uma pérola: Ah, já sei... Vamos até a churrascaria Marlene! Ele me olhou com cara de espantado e disse: Cara, essa churrascaria já fechou a pelo menos uns 10 anos! Caímos na risada por quase 20 minutos e depois eu me rendi, falando para ele: Eh, neném... Estamos ficando velhos mesmo! Enfim decidimos ficar em um barzinho aqui perto de casa mesmo. Comemos bolinho de bacalhau, tomamos um refrigerante e conversamos distraidamente. De repente me peguei prestando atenção em uma torre de chopp, bem ao lado de nossa mesa. Olhei para meu marido e perguntei como é que se faz para manter aquela torre gelada, e, antes que ele me respondesse, eu disse: Vamos embora,  já chegou a minha hora. Pagamos a conta e fomos embora, sem sofrimento.  Viemos para casa e mais um dia de abstinência foi garantido. É assim que faço minha recuperação. Sabendo que o preço da minha liberdade  é a minha eterna vigilância. Por ter tomado a decisão de ontem não usar, usufruí de um domingo maravilhoso. Imaginem se eu tivesse tomado aquele "inocente" chopinho? Eu ainda não teria voltado para casa, tenho certeza, pois sei que para mim, uma dose é demais e mil não bastam"!!!!
A vida é feita de escolhas, e eu venho fazendo as minhas, só por hoje!
O domingo está acabando e para mim ele está garantido, é só por hoje mesmo...




Hoje, escolho ser feliz!
















* Texto com direitos autorais

31 agosto 2010

A natureza exata das minhas falhas


 Tenho andado deprimida, descontente e confusa. Estou em uma fase de introspecção e auto reflexão.
Venho me questionando, e tentando mudar. Tentando aceitar as decepções da vida. Pagando o preço por colocar expectativas irreais em mim, e nos outros. Tentando compreender muitas coisas. Aceitando aquelas que não posso modificar, e reconhecendo a diferença dos meus atos antes e depois de tudo.
Procurando não cometer os mesmos erros.
Tentando manter a mente aberta.
Buscando coragem, força e sabedoria para seguir em frente.
Preciso achar a fonte do meu descontentamento diante da vida.
Tapar esse buraco com Poder superior, e programação de 12 passos.
Preciso me prontificar, no terceiro passo, para ser transformada na pessoa que meu poder superior quer que eu seja.
Preciso da sanidade do segundo passo.
Preciso fazer um inventário positivo e negativo sobre mim e encontrar não somente coisas ruins, mas descobrir que também tenho qualidades magníficas.
Preciso admitir a Deus, a mim mesma, e a outro ser humano a natureza exata das minhas falhas, no quinto passo.
Preciso me prontificar de coração, para que meu poder superior remova essas falhas.
Preciso de humildade para reconhecer aqueles meus defeitos que me impedem de crescer mentalmente e espiritualmente.
Preciso fazer uma lista das pessoas que prejudiquei com minha adicção, inclusive, eu mesma.
Preciso fazer algumas reparações, logo que possível. E, seguir me inventariando, para saber onde estou errando, todos os dias.
Preciso encontrar no silêncio do meu eu, as respostas do meu poder superior, através de prece, meditação e oração.
Preciso prosseguir em minha caminhada, por mais que ela seja confusa, dura e complexa.
Preciso me livrar da contradição de pensamentos. Da embaralhada de sensações, que sinto a todo instante.
Preciso encontrar o tão sonhado equilíbrio mental, emocional e espiritual, para alcançar a maturidade retarda, e perdida com o tempo.
Preciso me render e aceitar que a vida não é como eu quero. As coisas não acontecem na hora que eu quero.
Preciso descontinuar meu controle pelas coisas.
Preciso abandonar a obsessão pelas pessoas, por coisas, e por vontades pessoais, que só toliram meu amadurecimento.
Preciso amar o simples. Amar o verdadeiro, e o absolutamente real.
Preciso encontrar dentro de mim, fonte de alegria e satisfação. Aprendendo que essas coisas nunca virão de fora, mas sim, de um interior limpo de maldade e aberto a coisas novas.
Preciso ser eu mesma. Me amar por tudo que sou. Respeitar a minha história e me perdoar.
Preciso abrir a janela da vida, e me lançar, sem medo de ser feliz.
Preciso entender que por mais que as pessoas me pareçam perfeitas, elas não são. E, vez ou outra vão me magoar, assim como eu também já as magoei.
Preciso encontrar a fonte infinda e inesgotável de sabedoria, proveniente dos meus próprios erros e acertos.
Preciso aprender a ser feliz com o que tenho, para que consiga, lá na frente, valorizar o que a vida me reserva.
Preciso de você, de mim, de tudo e de todos.
Preciso sair dessa ilha de isolamento que me coloquei.
Preciso quebrar as correntes do julgamento inútil, e me abrir para o mundo, me permitindo sentir o que eu tiver que sentir. Aceitando o que eu tiver que aceitar, mudando o que eu puder mudar.
Sofrer sem auto piedade, exigindo menos de mim e dos outros. Deixando simplesmente que a vida aconteça em sua mais pura e melhor essência.

Darléa Zacharias

* Texto com direito autoral. Retirado do livro " O passageiro da agonia", ainda em fase de edição.

23 junho 2010

QUANDO ME AMEI DE VERDADE...


Charles Chaplin

Quando me amei de verdade, compreendi que em qualquer circunstância
eu estava no lugar certo, na hora certa, no momento exato.
E, então, pude relaxar.
Hoje sei que isso tem nome…
Autoestima.
Quando me amei de verdade, pude perceber que minha angústia e meu sofrimento emocional, não passam de um sinal de que estou indo contra minhas verdades.
Hoje sei que isso é…
Autenticidade.

Quando me amei de verdade, parei de desejar que minha vida fosse diferente e comecei a ver que tudo o que acontece contribui para meu crescimento.
Hoje chamo isso de…
Amadurecimento.
Quando me amei de verdade, comecei a perceber como é ofensivo forçar alguma situacão ou alguém, inclusive a mim mesmo, sòmente para realizar aquilo que desejo, mesmo sabendo que não é o momento ou que a pessoa não está preparada.
Hoje sei que o nome disso é…
Respeito.

Quando me amei de verdade, comecei
a me livrar de tudo que não fosse saudável…
Pessoas, tarefas, toda e qualquer coisa que
me pusesse para baixo.
Inicialmente, minha razão chamou a essa atitude de egoísmo.
Hoje sei que isso se chama…
Amor próprio.

Quando me amei de verdade, deixei de temer meu tempo livre, desisti de fazer grandes planos e abandonei os projetos megalômanos para o futuro.
Hoje faço o que acho certo, o que gosto, quando quero e no meu próprio ritmo.
Hoje sei que isso é…
Simplicidade.
Quando me amei de verdade, desisti de querer ter sempre razão e, dessa maneira, errei menos.
Hoje descobri a…
Humildade.

Quando me amei de verdade, desisti de ficar revivendo o passado e de me preocupar com o futuro.
Agora, mantenho-me no presente, que é onde a vida acontece.
Hoje vivo um dia de cada vez.
Isso é…
Plenitude.

Quando me amei de verdade, percebi que a minha mente pode atormentar-me e decepcionar-me. Mas, quando a coloco a serviço do meu coração, ela se torna uma grande e valiosa aliada.
Tudo isso é…
SABER VIVER!

“Não devemos ter medo dos
confrontos… até os planetas se
chocam e do caos nascem as estrêlas”

11 junho 2010

Assumindo a codependência


Se para um dependente ou compulsivo é difícil assumir seu problema, sua impotência perante ele e sua condição, para um codependente parece ser ainda pior.
Por que?
É muito mais fácil e comum culpar o dependente de drogas por usá-las ou o alcoólico por beber. Fica evidente que este comportamento é abusivo, gera problemas, consequências ruins. Todos estão acostumados a fazer dos dependentes os bodes expiatórios da família.
"Ele deve assumir seu problema, deve se cuidar, deve mudar", dizemos. Isso já virou chavão.
Porém, quando o olhar se volta para o codependente, tudo muda.
"Eu? Por que eu? O doente é ele, o problema é ele. Quando ele mudar, eu serei feliz", são as máximas dos codependentes. Na maioria das vezes, ocorrem algumas situações.
O dependente entra em recuperação e o codependente não se torna a pessoa feliz que imaginava que seria. Ao contrário, sente-se ainda mais perdido e vazio. Afinal, vai cuidar de quem? Vai ser útil para quem? Quem irá usar para se sentir no comando?
Em outros casos, o codependente se afasta, se separa do dependente e, mesmo assim, a “saga” continua e ele busca alguém similar para se relacionar.
Devido às nuances que a codependência apresenta, à dança sutil que embala seus ‘escolhidos’, é muito difícil, neste olhar para si, dizer: “Sim, eu sou codependente”, ou ainda “Sim, fui afetado pelo alcoolismo de outra pessoa”.
Porém, seja qual for o pequeno indício, não se entregue à negação. Vasculhe a sua história, olhe para o espelho e assuma, sem medo, esta condição. Esta será a única forma de começar uma história de recuperação em sua vida, uma trajetória rumo à autonomia saudável, capaz de extrair a felicidade do único lugar em que ele pode estar: dentro de si mesmo.

28 maio 2010

Carta de uma mãe desesperada






Deus, meu oriente-me em minha causa, pois sei que para ti não é perdida.
Dai-me uma gota de esperança, uma luz...
Deus, sempre fui boa pessoa, honesta e batalhadora. Sonhei em constituir uma família e vivi por ela e para ela. Mas, vi a cada dia o meu sonho de família feliz esvaindo-se de mim.
Um dia adormeci e quando acordei, não gostei do que vi. Deparei-me com uma pessoa estranha a meu lado. E, ao olha-lho mais de perto, não o reconheci. 
Percebi que meus sonhos estavam espalhados pelo chão, tentei recolhe-lhos, mas não consegui. Acho que foi tarde demais. Enquanto eu lutava para reunir os meus cacos a minha família ruía.
Cheguei a conclusão que perdi o controle da situação de diversas maneiras. Constatei com tristeza que falhei de todas as formas ao tentar ajudá-lo, e mergulhei no dissabor da perda e na corrente das mães desesperadamente desamparadas e desprovidas de esperança.
Me sinto culpada e impotente perante  essa situação.
Não sei ao certo o que eu poderia ter feito para modificar o triste quadro em que me encontro agora. Me sinto absolutamente vazia, confusa e infeliz...
Lembro do meu filho brincando a poucos dias atrás... Ele ainda usava roupa de escola e corria pelo quintal, sorridente e feliz. Hoje, vejo o sorriso de minha cria dia após dia se apagando... Aparentemente ele cresceu. Mas os seus objetivos encolheram por causa das drogas.
Os seus brinquedos foram abandonados em um canto qualquer.  Foram trocados por doses, e daquela criança feliz e arteira, que corria de braços abertos na minha direção, nada restou...
Deus, em que momento do caminho meu filho se perdeu? Por que eu não estava lá? Por que ele se escondeu de mim?
Sempre o protegi da maneira que eu podia. Dei-lhe o melhor de mim, dos meus anos e dias. Dei a ele a minha força e alegria.
Ensinei-lhe valores e dei exemplos claros de honestidade.
Sonhei em fazer dele um grande homem e parti ao encontro deste sonho. Mas o sonho era só meu... Agora vejo que sonhei sozinha...
Ele rejeitou tudo que lhe dei, e com o tempo de uso, acabou rejeitando também a si mesmo.
Agora, eu  me vejo aqui chorando por suas partidas bruscas. Seguindo rumo a insanidade.
Senhor, dizei-me o que fiz de certo e errado. Preciso saber... Por mais dura que seja a minha realidade, sei que ainda posso suportar um pouco mais.
Nada pode ser pior do que conviver com a culpa e duvida, e com essa dor constante, que me atormenta noite e dia.
Diga-me senhor, foi brinquedos demais ou de menos? Foi dito muito sim e pouco não? Foi falta de castigo, conversas abertas e longos diálogos? Fui permissiva? Fui muito passiva? Amei demais ou de menos? Vigiei pouco ou em demasia?
O que eu faço senhor? Choro paralisada e espero o trágico final, ou luto por ele com todas as forças que ainda me restam? Já não sei mais o que fazer...Sinto-me confusa. O meu coração sangra, e por mais que eu pense, não encontro respostas. Não consigo encontrar o fio da meada, um caminho, uma luz...
Já perdi as contas das vezes que eu o procurei pelas madrugadas e não o encontrei. Já chorei implorando para que ele me ouvisse. Já pedi para ele deixar as drogas, me arrastei...
Já gritei, ameacei, tranquei, e nada funcionou... 
Tudo parece-me como sempre, e a cada dia, piora mais e mais. Nada acontece senhor e sou testemunha ocular de um suicídio profundo e lento, dia após dia.
Posso ver os cortes profundos sangrando aquela alma vazia.
O que acontece senhor? Meu filho não me ama? Ele quer encontrar a própria morte? Quantas duvidas... Minha mente oscila sob o efeito bulmerangue da vil decepção.
Quantas perguntas vazias, constantes e perturbadoras. Sigo sem respostas e sem esperança aparente.
Ás vezes, quando ele aparece, me permito acreditar em suas mentiras, e depois sofro por ter cedido as suas manipulações. Me sinto enganada, mas eu mesma me permito.
Não atender a um pedido dele me parece fardo pesado. E, quase sempre cedo aos seus apelos. 
Tenho que me agarrar em algo para continuar suportando tanta dor, nem que seja acreditar em suas mentiras.
Por que tenho que passar por isso meu Deus... Onde exatamente errei?
Dei-lhe escola, apoio, ombro... Mas, ele virou as costas para tudo que ofertei-lhe. Esqueceu-se de mim, de si, dos amigos, dos estudos. Desistiu dos próprios sonhos para viver um verdadeiro pesadelo, perdendo o anseio pela própria vida...
Senhor, quantas madrugadas não durmo... Rolo na cama sem sono, pensando onde ele está. Falo contigo agora, Senhor de uma forma desesperadora, esperando uma luz, alguma resposta...
Choro quando vejo o seu lugar vazio a mesa, e me pergunto: será que ele já comeu? Será que está bem? Sua vida está segura? Será que o verei de novo?
Não sei o que pensar. Senhor... Minha cabeça gira. Penso que já não a mais nada a fazer, a não ser esperar pelas trágicas notícias.
As vezes, choro escondida e fico amargurada quando me perguntam por ele. Choro por que sei que como mãe, eu deveria saber onde meu filho está, e não sei. Então, mergulho em um poço sem saída, sem fim, e sem chances de um recomeço.
Penso que cheguei ao fim da linha... Preferiria morrer  ao vê-lo assim em queda livre, rumo ao precipício.
Rezo todos os dias para que ele não fique preso nos braços da morte.
Senhor, por favor, tu que amaste seu filho, mas o entregaste ao sacrifício, me oriente, mas não o tire de mim. Daí-lhe uma outra chance...                                                                                   Ele era uma pessoa feliz, mas a droga o transformou em uma pessoa que ele não queria ser... Ela o levou a fazer coisas que ele não queria fazer. Um dia um monstro assumiu, e meu filho desapareceu. Digo isso, por que via seu sofrimento a cada chegada, hoje, ele já não vem mais... Entregou-se de uma forma covarde e absurda. Abdicou de si mesmo, do meu amor e da própria vida.
Senhor, estou disposta a fazer o que for preciso para ter meu filho de volta. Diga-me que eu imediatamente farei... Prontamente o obedecerei.
Deus, me conduza por este caminho sombrio. Faça- me acreditar que não estou só. Mostre-me pelo menos uma pequena luz no final deste longo túnel , dai-me um filete de esperança. Diga-me que tu me escutas quando oro e durmo em meio a lágrimas e soluços.

RESPOSTA DE DEUS

Filha minha, não te afogues em desespero e desesperança. Tu trabalhaste duramente e dignamente, por longos anos para ter uma família digna. Perdestes noites de sono, dias a fio, para dar uma vida melhor á seu filho. Comprou-lhe os brinquedos que não podia. Deu a ele estudo e educação. Muitas vezes, abdicou do lazer e fez sacrifícios incontáveis em prol de sua cria.
Abriu mão de si mesma, por ele.
Não se sinta culpada. Você não é responsável pelo caos que se instalou na vida de seu filho e por suas escolhas erradas. Todos os dias ele tem liberdade de escolha, e ele está optando por morrer... Saiba culpa não é sua. O seu filho precisa de ajuda... mas só ele poderá se ajudar, ele só precisa querer.  Ele é absolutamente responsável por cada passo que deu em direção ao precipício... Por isso, pagará então, o preço que tiver que pagar por todas as suas insanidades.
Filha minha, bem sei que se tu pudesse, morreria por ele, mas, isso não é possível.... Deverá então deixa-lo sentir a dor que tiver que sentir, e não poderás tomar as chibatadas da vida por ele. Não poderás tomar para si o fardo de seu filho, e nem modificar o que ele não quer que seja mudado. Siga sua vida sem culpa. Não posso impedi-la de sofrer, mas posso amenizar sua dor quando afirmo-lhe que a vida de seu filho está em minhas mãos. Vejo seus passos e o protejo. Mesmo não aprovando os seus comportamentos, eu o perdoo, todos os dias.
Filha minha, faça a sua parte e siga sua vida. Pois eu, em minha infinita sabedoria, dei uma para cada ser humano. Dei-lhes também o total  livre arbítrio.
Sei que a capacidade de percepção de seu filho está abalada. Mas, ainda existem aqueles raros momentos em que ele se questiona e vem até a mim perguntando: Deus, até onde vale a pena continuar assim?
Digo-lhe mansamente que ele pode parar com todo este sofrimento quando quiser, mas ele, como sempre mostra-se incrédulo. Penso que ele perdeu  a fé em mim e em si mesmo...
Filha minha, ame –o com todas as suas forças, mas não facilite sua vida com o uso de drogas. Amor demais também mata... Ame-o mais o deixe escolher qual caminho seguir.
Aprenda a dizer não a ele com assertividade. E, leve até o fim as suas decisões. Não ceda a seus choros e lamentações. Não acredite em suas promessas. Não coloque expectativas irreais nele. Apenas tenha fé em mim.
Proteja-se e desligue-se emocionalmente. Só assim, você estará contribuindo para que ele tome uma decisão mais rápido. 
Cuide-se para que ele a encontre refeita emocionalmente quando ele precisar, e realmente quiser ajuda.
Pense nele com carinho e misericórdia, mas não viva e morra por ele. Pois não existe caixão para mãe e filho. Continue orando e me entregando a vida dele, a cada dia, eu me encarregarei de todo o resto. 
Eu sempre farei o que for melhor, esteja certa disso. Fique calma. Se ame primeiro para poder cuidar dele.
Fique certa de que eu sempre olho por ele, e dias desse o vi cabisbaixo e chorando. Ele pedia forças a mim para sair do estado deplorável em que se colocou. Implorava por forças e coragem  para mudar. Me pedia  para modificar a sua vida. Chegou até mesmo pedir para eu o levasse comigo, pois não aguentava mais sofrer...
Muitas vezes, ele lembra-se de mim... Na calada da noite, nos becos. Nas horas de perigo, ele me diz: Meu Deus, se me livrar dessa, eu nunca mais vou usar drogas! Porém, são só promessas vazias. Quando o livro do perigo, ele recomeça todo o processo de destruição novamente.Esquecendo-se de tudo que passou.
Eu sempre estou lá e observo tudo, como pai zeloso que sou. Muitas e muitas vezes, quando ele pensa que está sozinho, eu o carrego em meus braços, e o coloco a salvo, concedendo-lhe a possibilidade de um feliz recomeço.
Mãe... Não pense que seu filho não a ama. Sei que ele lhe parece tão incessível, mas os seus sentimentos estão adormecidos por causa das drogas. Asseguro-lhe que ele não a esqueceu. Dentro de seu peito ainda pode senti-la, e quando você chora, por um instante, em um lampejo de sanidade, o coração dele chora também...
As vezes, ele pensa: Será que ela já está dormindo? O que vou dizer a ela se ela gritar ou amaldiçoar quando eu chegar em casa? Qual mentira desta vez vou ter que inventar para que ela sofra menos? Será que ela ainda me ama?
Ele está cansado, mas não se rende. As vezes, promete a si mesmo parar, mas, a dependência é mais forte, e a cada dia o faz mais fraco.
Daquele rapaz sobrou muito pouco. Todo dia dou a ele um sopro de vida e uma nova chance. Estendo meus braços na esperança de abraça-lo com força, mas ele foge. Foge de mim, de si mesmo, da vida e daqueles que o amam...
Filha minha, aquiete o vosso coração, confie em mim e deixe-me agir. 
Não existe caso sem volta, nem condição sem esperança.  Eu sou simplesmente o Deus do impossível!

Darléa Zacharias

* Texto do livro Inimigo Oculto, foco, força e fé
www.darleazacharias.com.br

18 maio 2010

Meu passado, meu tesouro!





Lembre-se do seu passado com respeito, sabendo que se não houver uma mudança radical em sua vida, ele se repetirá.
Veja em seu baú do tempo o tesouro que está escondido em cada peça. Cada uma delas contém um pouco da sua história, mas elas não passam de relíquias ultrapassadas, que só servem para enfeitar a estante do tempo. Não tenha medo, observe cada peça como um aprendizado. Elas são jóias únicas, forjadas com o calor de muito choro e dor. Lamentos que só voltarão se você permitir.
Guarde a chave do seu baú do tempo em seu coração e quando tudo parecer mais difícil do que possa suportar, lembre-se que nada poderá ser pior do que a vida que levara antes.
Eu não vivo das recordações do meu passado, mas o respeito. Sei que o que sou hoje, é fruto do que fui um dia. Por isso, encaro de forma leve meus erros. Procuro me perdoar e não repeti-los em busca de resultados diferentes. Sigo em frente. Já não uso meus erros para me auto punir, erros novos é sinal de crescimento.
Sei que estou no caminho certo. Fazendo o que tenho que fazer, pelos motivos certos. Não quero subterfúgios anestésicos nem atalhos. Estou crescendo a cada dia!


Darléa Zacharias


































* Texto com direitos autorais

17 março 2010

Ressentimentos

A Fábula do Porco-espinho.

Durante a era glacial, muitos animais morriam por causa do frio.
Os porcos-espinhos, percebendo a situação, resolveram se juntar em grupos, assim se agasalhavam e se protegiam mutuamente, mas os
espinhos de cada um feriam os companheiros mais próximos, justamente os que ofereciam mais calor.
Por isso decidiram se afastar uns dos outros e começaram de novo a morrer congelados.
Então precisaram fazer uma escolha: ou desapareciam da Terra ou aceitavam os espinhos dos companheiros.
Com sabedoria, decidiram voltar a ficar juntos.
Aprenderam assim a conviver com as pequenas feridas que a relação com uma pessoa muito próxima podia causar, já que o mais importante era o calor do outro.
E assim sobreviveram.

Moral da História:
O melhor relacionamento não é aquele que une pessoas perfeitas, mas aquele onde cada um aprende a conviver com os defeitos do outro, e admirar suas qualidades.



"É muito melhor alcançar triunfos e glórias, mesmo expondo-se à derrota, do que formar fila com os pobres de espírito, que nem sofrem nem gozam muito, porque vivem nessa penumbra cinzenta, que não conhece vitória nem derrota."
Abrahan Lincoln


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'Guardar ressentimentos é como tomar veneno e esperar que outra pessoa morra'
William Shakespeare

12 março 2010

Lições de vida

Um grande espiritualista costumava ter em cima de sua cama uma placa escrita: "Isso também passa". Aí perguntaram para ele o porquê disso. E ele disse que era para quando estivesse passando por momentos ruins, poder se lembrar de que eles iriam embora. Que iriam passar. E que ele teria que passar por aquilo por algum motivo. Mas essa placa também era para lembrá-lo que quando estivesse muito feliz, não deixar tudo para trás e se deixar levar, porque esses momentos também iriam passar e momentos difíceis também viriam de novo. E é exatamente disso que a vida é feita: momentos. Momentos os quais temos que passar, sendo bons ou não, para o nosso próprio aprendizado. Por algum motivo nunca esquecendo do mais importante: nada é por acaso. Absolutamente nada. Por isso temos que nos preocupar em fazer a nossa parte, da melhor forma possível. A vida nem sempre segue o nosso querer, mas ela é perfeita naquilo que tem que ser.

10 março 2010

A paz


A paz que trago no peito


A paz que trago hoje em meu peito é diferente da paz que eu sonhei um dia...
Quando se é imaturo, imagina-se que ter paz é poder fazer o que se quer, repousar, ficar em silêncio. e jamais enfrentar uma contradição ou uma decepção.
Todavia, o tempo vai nos mostrando que a paz é resultado do entendimento de algumas lições importantes que a vida nos oferece.
A paz está no dinamismo da vida,no trabalho,na esperança,na confiança,na fé...
Ter paz é ter a consciência tranqüila, é ter certeza de que se fez o melhor ou, pelo menos, tentou...
Ter paz é assumir responsabilidades e cumpri-las, é ter serenidade nos momentos mais difíceis da vida.
Ter paz é ter ouvidos que ouvem, olhos que vêem e boca que diz palavras que constroem.
Ter paz é ter um coração que ama...
Ter paz é admitir a própria imperfeição e reconhecer os medos, as fraquezas, as carências...
Ter paz é não querer que os outros se modifiquem para nos agradar, é respeitar as opiniões contrárias, é esquecer as ofensas.
Ter paz é brincar com as crianças, voar com os passarinhos, ouvir o riacho que desliza sobre as pedras e embala os ramos verdes que em suas águas se espreguiçam...
Ter paz é aprender com os próprios erros, é dizer não quando não que se quer dizer...
Ter paz é ter coragem de chorar ou de sorrir quando se tem vontade...
É ter forças para voltar atrás, pedir perdão, refazer o caminho, agradecer...
A paz que hoje trago em meu peito é a tranqüilidade de aceitar os outros como são, e a disposição para mudar as próprias imperfeições.
É a humildade para reconhecer que não sei tudo e aprender até com os insetos...
É a vontade de dividir o pouco que tenho e não me aprisionar ao que não possuo.
É melhorar o que está ao meu alcance, aceitar o que não pode ser mudado e ter lucidez para distinguir uma coisa da outra.
É admitir que nem sempre tenho razão e, mesmo que tenha, não brigar por ela.
A paz que hoje trago em meu peito é a confiança naquele que criou e governa o mundo...
A certeza da vida futura e a convicção de que receberei, das leis soberanas da vida, o que a elas tiver oferecido.

Marcelo Celente



09 março 2010

A Terapia do Abraço

A Terapia do Abraço

O que faz você, por exemplo quando está com dor de cabeça? Ou quando está chateado?
Será que existe algum remédio para aliviar a maioria dos problemas físicos e emocionais?
Pois é, durante muito tempo estivemos a procura de alguma coisa que nos rejuvenescesse, que prolongasse o nosso bom humor, que nos protegesse contra as doenças, que curasse nossa depressão, que nos aliviasse de nosso estresse, que nos fizesse chegar próximo daquele com quem brigamos.
Sim, alguma coisa que fortalecesse nossos laços e que inclusive nos ajudasse a adormecer tranqüilos.
Encontramos!
O remédio havia sido descoberto e já estava a nossa disposição.
E continua ao alcance de nossas mãos.
O mais impressionante de tudo é que, ainda por cima, não nos custa nada. Aliás, custa sim, custa um pouco de vontade de perdoar.

É o ABRAÇO!

O abraço é milagroso.
É medicina realmente muito forte.
O abraço como sinal de afetividade, de carinho e de perdão pode nos ajudar a viver mais tempo, proteger-nos contra doenças, curar a depressão e fortificar os laços familiares.
O abraço é excelente tônico!
Hoje sabemos que a pessoa deprimida é bem mais suscetível a doenças.
O abraço diminui a depressão e revigora o sistema imunológico da pessoa. O abraço injeta nova vida nos corpos cansados e fatigados, e a pessoa abraçada se sente muito mais jovem e vibrante.
O abraço aumenta significativamente a hemoglobina na pessoa tocada.
Para lembrar, hemoglobina é aquela parte do sangue que transporta o oxigênio para os órgãos mais vitais do nosso corpo, inclusive o cérebro e o coração.
O uso regular do abraço, por isso tudo, prolonga a vida, sara a depressão e estimula a vontade de viver, crescer e progredir.
Sabe quantos abraços você precisa dar por dia?
8... para manter-se vivo.
E o mais bonito, é que este remédio não tem contra indicações e não há maneira de dá-lo sem recebê-lo de volta!

Um abraço a todo! Tenham bons momentos! SPH, funciona e vale a pena!

Vlw André!

05 março 2010

Tente outra vez!






Queremos alcançar os nossos objetivos, mas não queremos sentir dor e nem abrirmos mão de determinadas coisas que julgamos imprescindíveis para nós. Mas, sabemos que tudo nesta vida é uma troca. Uma espécie de lei do retorno. Nada é fácil. Todo crescimento requer esforço e percepção. Podemos ansiar por algo e descobrirmos que não temos aquilo que queremos por que não é o tempo certo, ou não nos esforçamos o suficiente para obtê-lo. 
Muitos caminham pela vida e passam despercebidos por ela. Outros, fazem de tudo para aparecer, mas escondem-se em nuvens de soberba e auto suficiência. Deus, como é difícil o tal equilíbrio. Como é complicado sabermos se estamos no caminho certo e discernir se as nossas decisões estão sendo tomadas direcionadas por princípios espirituais de mente aberta, honestidade e boa vontade, ou por pura vaidade. 
Com que velocidade tenho que avançar? Tenho que ir mais devagar ou bem mais rápido? Não sei... Eu só sei que preciso mudar hoje! Fazer o meu melhor, sem pensar nos resultados futuros, até por que nem sei se ele existirá.
Precisamos rever muitas coisas em nossos comportamentos se quisermos alcançar o que se tem de mais precioso nesta vida: A liberdade de escolha. Precisamos identificar onde estamos errando e se estamos dominados pela ansiedade, medo e até mesmo pelo orgulho. Precisamos tentar fazer tudo diferente. NÃO PRECISAMOS PISAR EM NINGUÉM PARA OBTER O QUE QUEREMOS, O SOL NASCE PARA TODOS.
Nossas conquistas, são resultados de ação criativa e em fé sempre crescente. 
Temos uma característica em comum e ela consiste em extremos e exageros. Ou estamos parados ou indo rápido demais. Impulsivos, devastamos tudo que se posiciona em nossos caminhos. Podemos seguir mais lentos em nossos processos de tomada de decisão, mas nunca parar. 
Podemos reavaliar a nossa direção a ser seguida e ajustar as velas. Os ventos nos indicarão a trilha certa. 
Ao tentarmos controlar os rumos, destruimos a espontaniedade do momento e a nossa capacidade de superar obstáculos.


"PERSEGUIR UM SONHO É IR ALÉM DOS NOSSOS LIMITES, VENCENDO OS NOSSOS MEDOS E EXAMINANDO NOSSOS MOTIVOS, PODEREMOS VOAR MAIS ALTO. PODEREMOS CHEGAR A QUALQUER LUGAR QUE A NOSSA OBSTINAÇÃO PERMITIR."
Texto do livro " O passageiro da agonia."

Darléa Zacharias

17 fevereiro 2010

Entrevista para o Jornal Uni Niteroí- Jornalista Roberta Souza

Entrevista com a autora Darléia Zacharias. Livro Drogas o árduo caminho de volta.
sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010


Conflitos, desilusões, crescimento conturbado, fuga, drogas.
Esta autobiografia é o exemplo perfeito de como uma vida pode começar completamente conturbada, seguir por caminhos tortuosos, se perder por completo, conhecer a morte de perto, mas conseguir se encontrar, abraçar uma fé imprescindível no amor de Deus e na vida e buscar novos caminhos para se manter longe das drogas. Darléia sentiu na pele o lado obscuro do ser humano, se entregou à morte, mas superou suas dificuldades, suas compulsões e reescreveu sua história.
(Leiam com atenção, temos sempre alguém que conhecemos passando por esta situação)


P: Em sua obra, você deixa bem claro que procura não acusar ninguém ou colocar culpa em ninguém para motivar sua fuga da realidade e seu início nas drogas. Em sua opinião a criação e o cuidado na educação podem afetar a entrada de pessoas no mundo das drogas?
R: Sim, não posso mais culpar pessoas lugares e coisas pelo meu uso de drogas, este foi um comportamento destrutivo que ficou lá no passado.
Passei toda a minha vida tentando encontrar uma justificativa para meu uso e me auto fragelar.
Usei as desculpas mais absurdas para levar adiante uma vida de insanidades. Hoje em recuperação, tendo que olhar vida com responsabilidade e assumir minha parcela de culpa, sem cobrar nada de ninguém, sem ressentimentos.
Eu que fui até um ponto de venda de drogas e comprei minha morte à prestação.
Um suicídio lento e insano. E, para me recuperar eu precisava retirar o véu da ignorância. Ver que as pessoas me deram o que elas podiam me dar, das suas próprias maneiras, a maneira como recebi isso que foi distorcida pela minha mente adoecida.
Cansei de cobrar dos outros coisas que somente eu poderia me dar como: Amor, carinho, atenção e respeito próprio.
Hoje, sei que sou responsável pela minha vida e pela minha recuperação, não me cabe mais tentar encontrar culpados, mas fazer parte da solução. Me perdoando e perdoando as pessoas que passaram pela minha vida. Só assim, sem mágoas a minha caminhada ficará mais leve e poderei prosseguir em paz. Perdoar a si mesmo e aos outros é um ato de amor consigo mesmo.

P: para motivar sua fuga da realidade e seu início nas drogas. Em sua opinião a criação e o cuidado na educação podem afetar a entrada de pessoas no mundo das drogas?
R: Vim de uma família empobrecida emocionalmente. Fui criada em um lar em desarmonia e confuso. Vejo que eu poderia ter sido melhor orientada. Mas minha família fez o que achava que era melhor para mim, mesmo que na realidade não fosse. Por outro lado, vejo pessoas que foram educadas em lares estruturados e mesmo assim, torna-se adictos(usuários de drogas).
A adicção é uma doença comportamental, e o desenvolvimento independe de classe social. Ela é uma doença da família, pois apesar de não ser contagiosa é completamente contagiante.
É claro que uma família presente, um lar onde exista um diálogo honesto e sincero, amor, contribuí para a formação de um adulto mais seguro e menos tendencioso ao uso de droga. Conheço pessoas que foram criadas a esmo e nunca usaram drogas, já outros, que foram criados em lares harmoniosos, religiosos, com amor, carinho, diálogo e se tornaram ferrenhos usuários, realmente é um paradoxo, a adicção não discrimina.

P: Quais foram os momentos mais difíceis para você no processo de limpeza do seu organismo?
R. O início da recuperação foi bem complicado. Passei por momentos em que pensei que não fosse conseguir ficar limpa. As crises de abstinência me consumiam.
Confusão mental, dores musculares, cansaço, apatia, coceiras e dores de cabeça constante, me esgotavam física, mental e espiritualmente. Pensar no futuro, em como seria minha vida sem as drogas me deixava desesperada. Este processo durou três meses, até que comecei a desenvolver uma fé em um Deus amoroso, que não tinha nada haver com religião, mas sim com uma força descomunal que tinha dentro de mim, e eu não enxergava, ela era encoberta pelo desespero do uso.
Esse Deus, me carregou no colo nos momentos em que eu não tinha mais forças.
Procurei compreender que o processo de recuperação era lento, dolorido, mas completamente possível. Entendi que o futuro era algo inusitado e que eu só poderia viver o presente, um dia de cada vez. Comecei a fazer acontecer, vivendo sem pensar no amanhã. Fazendo por mim só as coisas que eu poderia fazer naquele dia. Sem planos, construindo metas e esquecendo as expectativas, mudei o rumo da minha história.
Recomeçar do nada, morrendo de medo da vida, não é fácil... Mas, percebi que se eu pedisse ajuda a outras pessoas que já haviam passado pelo mesmo que passei e estavam conseguindo, eu também poderia reescrever a minha história.

P: Você é vitoriosa e sempre foi protegida por Deus, infelizmente muitas pessoas não têm a mesma "sorte". Sua obra é um relato sério e bem explícito sobre verdades muitas vezes escondidas. Você sente que consegue tocarpessoas "perdidas" nas drogas com suas palavras?
R: Sinto que sou uma privilegiada em estar limpa. Eu poderia ser apenas mais uma anônima nesta triste trajetória de uso de drogas. Pessoas que vivem e morrem sem conhecer uma maneira limpa e digna de viver. Mas, eu busquei e ainda busco reformulação de vida e recuperação para esta doença que não tem cura, mas pode, através da completa abstinência, ser detida em algum ponto.
Muitas vezes, é melhor não mostrar a realidade do uso de drogas. Muitas pessoas sofrem com a dependência química pensando que estão sozinhas nesta guerra e não estão. Droga é mais comum do que se pensa. As drogas são o mal do século. Estamos vivendo uma epidemia e seria egoísmo da minha parte ter vivido tudo que vivi e não compartilhar com os outros um pouco de esperança. Levar esta mensagem de que é possível parar de usar, perder o desejo de usar e encontrar uma nova maneira de viver, basta querer.
Esta doença mortal, não afeta só aqueles que vivem a margem da sociedade, ou o filho da vizinha e o da empregada. Ela entra traiçoeiramente em nossas vidas, e em um piscar de olhos, dizima a nossa família.
Meu livro fala disso, exatamente sobre isso: Esperança!.
Pela vida maravilhosa que levo hoje, seria mais fácil tentar esquecer o que vivi, deixando todo este passado de miséria com as drogas bem escondido embaixo do tapete. Mas isso seria puro egoísmo. E, compartilhar o que passei e como venho me recuperando é um ato de coragem e gratidão a Deus.
Meu livro está ajudando muita gente. Pessoas que um dia perderam a esperança, mães desesperadas que buscam tentar entender como puderam perder seus filhos para as drogas, apesar de todos os seus esforços. Recebo todos os dias dezenas de e-mails de pessoas me agradecendo por compartilhar a minha história. Estas pessoas estão conseguindo também, isso para mim, não tem preço.

P: Um dia de cada vez. Hoje sua vida é completa e cheia de felicidade, se a Darléia de hoje pudesse escrever uma carta para a Darléia nas drogas, o que você diria a ela?
R: Primeiramente eu tentaria olhar para aquela Darléa com olhos de misericórdia, pois ninguém em sã consciência quer uma vida miserável dessa para si. Tentaria me aproximar com cautela, daria amor, mas também seria dura quando fosse necessário.
Diria a ela que não importa em que ponto de degradação tenha chegado, sempre é possível reverter, basta querer. E, para se render é preciso dar o primeiro passo, pedindo ajuda e admitindo que sua vida está incontrolável. Pediria a ela que não desistisse de si mesma e que existe uma vida bacana para se viver, independente de qualquer coisa. Uma vida nova, limpa e digna, cheia de desafios e novidades. Que é possível mudar o rumo da própria história. Que ela deve se amar, e se autoaceitar e acreditar que o melhor ainda está por vir. E, que nada nesta vida é definitivo e para atitude positiva da parte dela, a vida retribuirá com um sorriso.
Falaria para ela erguer a cabeça e se colocar de pé, mesmo que não saiba para onde ir, tentar já é um bom caminho. Tente ser feliz, a vida é feita para isso.
Drogas não são e nunca serão sinônimo de diversão e felicidade, pelo contrário, ela só causa desespero e dor, mesmo que a longo prazo. O final do uso é prisão, instituição e morte, não necessariamente nesta ordem. Ás vezes a morte pode vir primeiro... Falaria para ela acordar para a vida enquanto é tempo, pois quem não abraça a felicidade quando ela chega, não adianta chorar quando ela for embora.
Força, fé e esperança sempre, pois eu acredito em você!

P: Sua escrita é clara e agradável, realmente você tem um lindo dom. Conte-nos sobre seu novo livro.
R: Tentei escrever um livro de linguagem simples e coloquial. Onde qualquer pessoa pudesse suprir suas necessidades de informações sobre este tema tão complexo.
O livro tem uma mensagem forte e dinâmica, que prende o leitor pela veracidade dos fatos, sem restrições de idade para leitura.
Já em meu segundo livro, ainda em fase de acabamento, falarei sobre codependência e sobre outras histórias verídicas de superação ou não.
Sei que tenho uma missão e estou feliz em poder ajudar outras pessoas a encontrarem o caminho da recuperação.

Sua mensagem final:
A vida não para de acontecer. O tempo é hoje, agora!
Não existe caminho sem volta. Nosso caminho nós mesmos traçamos aqui neste momento.
Nesta vida somos meros aprendizes dos nossos próprios erros.
Só temos uma certeza: a de que um dia morreremos, então que possamos viver esta vida, que nos foi emprestada por Deus amoroso da melhor maneira possível.
As drogas nos fazem covardes e omissos. Nos tornamos passionais e permissivos. Aceitamos a condição de escravos usando para viver e vivendo para usar. Mas, não nascemos para sermos escravos do químico e dos nossos maus comportamentos. Temos escolha quando decidimos não sermos mais controlados.
Podemos optar pela vida e pelo novo que se inicia, a cada dia. Esqueça aquela velha e mentirosa frase que diz: Pau que nasce torto não tem jeito. Não somos madeira, somos humanos e plenamente capazes de discernir o que nos fará um perdedor ou um vencedor. E, as drogas sempre nos fará perder em alguma área de nossa vida. Não importa o tempo que levará, chegaremos ao fundo de poço quando descobrirmos que não funcionamos como seres humanos com ou sem droga. Com o uso, nos tornaremos sobreviventes, envoltos ao caos da desesperança.
Nascemos livres e limpos e deturpamos tudo. Buscamos subterfúgios para nossas dores nas drogas, nos tornando irresponsáveis e complacente com a derrota. Mas, só poderemos nos reencontrar quando voltarmos a estaca zero, e rendidos, aceitarmos que não é possível usar droga e ser feliz!
A vida está em nossas mãos, o que decidiremos hoje? Ser feliz ou amargar na frustração?
Não falo de adicção cientificamente, mas falo com a propriedade de quem um dia viu a morte de perto e só quem passa por isso é quem sabe como dói, ser uma fantoche, um brinquedo nas mãos do palhaço. Todos sofrem com um adicto na adicção ativa, mas só quem vivencia os horrores da adicção, pode entender o quanto é difícil este caminho.
Mas, para nos recuperarmos não podemos nos agarrar ao fato de que é dolorido demais olhar a vida sem anestésicos. Temos que nos concentrar no leque de possibilidades e nas probabilidades de nos tornarmos pessoas melhores para nós mesmos e para os que nos cercam, vivendo sadio, livre e limpos, sem medo de ser feliz.
Se você conhece alguém que tenha problemas com drogas, sugira os grupos de mútua ajuda, que seguem a filosofia de vida baseada em 12 passos. Lá, já vi vários milagres acontecerem, inclusive eu sou um deles. Funciona mesmo!


Dados Técnicos:

Drogas. O Árduo Caminho de Volta. Coragem para Mudar!
Darléia Zacharias
Editora Brasport
16x23cm 208pp R$37,90