29 janeiro 2012

Matéria sobre a Codependência

http://codependencia-anonimos.blogspot.com/2010/03/eu-minha-codependencia-e-os-adictos-da.html


sexta-feira, 5 de março de 2010

Eu, minha codependência e os adictos da minha vida, por Dárlea Zacharias

 
Leia o artigo da autora do livro "Drogas: o árduo caminho de volta", Dárlea Zacharias. Obrigada querida Dárlea por compartilhar conosco a sua vivência!

Eu, minha codependência e os adictos da minha vida.
Por Dárlea Zacharias

Falar de como me sinto sendo uma adicta em recuperação e de que maneira me posiciono perante "meus adictos" não é difícil, venho aprendendo através dos 12 passos a construir a minha cerca, falando para eles: Eu te amo, mas não concordo com o seu comportamento sigo usando acertividade e colocando limites em minhas preocupações e meus comportamentos. A mudança deve partir em primeiro lugar de mim, o resto é consequencia.
Por toda minha vida, estabeleci uma relação de amor e ódio com eles, que me esgotou completamente emocionalmente.
A alternância de identidade dos mesmos, o poder de auto- sabotagem, o descontrole emocional que acabava me contagiando, a minha falta de habilidade em ser mais acertiva e menos permissiva, me impediam de tomar atitudes onde eu pudesse me colocar em primeiro plano naquelas relações.
Por vezes, olhá-los fixamente e pensar durante alguns instantes em sua partida, foi o que me deu forças para prosseguir. Pensar em como minha vida seria diferente e em como eu seria mais feliz sem te-los por perto era um pensamento egoísta, mas, era o muro de auto proteção, que me protegeria de ser alcançada por eles.
Sei que é estranho para quem nunca viveu um problema assim compreender tais pensamentos, mas, só quem passa ou passou, consegue entender a ténue linha da razão e da insanidade que toma conta de nossas mentes, quando somos de alguma forma, manipulados, usados, desmerecidos, desconsiderados, descartados , imobilizados e abusados afetivamente por eles.
É como um túnel, um vazio... A culpa é um eco que teima em gritar que fracassamos de todas e imagináveis maneiras. Uma voz que nos diz o quanto somos tolos em amá-los sem que eles sequer mereçam nosso amor e as nossas lágrimas. Porém, como exigir amor de uma pessoa que não consegue se amar? Se a pessoa usa droga ele não se ama, então como pode dar o que ele não tem para si mesmo?
A sensação de ser nada para eles, nos dilui. A certeza de sermos apenas, provedores de formas compulsivas de uso, nos paralisa e desespera.
Nos tornamos obcecados por sua melhora e adoecemos com eles, a cada dia um pouco mais.
Buscamos resolver seus problemas, quando na verdade não enxergamos a dimensão do nosso. Não conseguimos compreender que nossas vidas param juntamente com a dele .Temos medo do toque do telefone, da campanhinha,viramos refém do medo.
Não temos como ajudá-los, se eles assim não quiserem e isso é fato. E, isso nos destrói. Pois, se tivessemos o poder de controlá-los, saberíamos exatamente o que fazer, mas não temos este poder e isso nos paralisa.
Não conseguimos entender o motivo de tanta revolta e insanidade e a cada mentira e tentativa frustrada de ajudá-los, nos afundamos mais e mais na codependência ativa.
Sabemos no fundo de nossos corações, que amamos nossos adictos. Mas, precisamos permitir que eles cheguem a seus próprios fundo de poços. Não temos o poder de estancar o processo de desmoralização e degradação e agimos dominados pelo desespero e sofremos.
Lidar com a frustração e com o medo, é terrível. Sabemos que ele ou ela tem um potencial gigantesco, mas usam essas virtudes como arma mortal em sua adicção ativa e observar isso dói...
Como continuar a amá-los se eles tornara-se nossos apaixonantes arquiinimigos? É um paradoxo no mínimo contraditório.
Vivemos em uma montanha russa de emoções, que nos puxam para baixo em força centrifuga e esmagadora.
Eles matam nossos sonhos, nossa coragem, nossa força e nossa frágil auto-estima. Empobrecemos nossa mente e espírito; E, nosso físico já debilitado pede cama e isolamento. Quando entra em processo de crise depressiva, preferimos não encarar nossa realidade. Conviver com eles, é um desafio, um ciclo mortal que recomeça a cada bom dia. Ao ve-los temos um pressagio de uma nova armação da parte deles. A cada cruzada de olhar, parecemos prever todo o desenrolar do dia. Sabemos que estamos prestes a reviver o mesmo pesadelo de ontem. Nossa intuição nos diz que todo o processo de auto destruição está prestes a recomeçar. Enquanto os observamos desesperados, querendo mais uma dose, constatamos nossa impotência. Eles andam pela casa sem rumo, nervosos, pálidos, ansiosos, procurando maneiras e meios de usar. E, nos, como co- dependentes inveterados e obedientes a nossa doença, o acompanhamos e partilhamos de sua infinda agonia. Nos deparamos com este quadros e perguntamos mentalmente: O que será que vai acontecer agora? E, mais uma vez dominados por nossa doença aceitamos o torpe convite para compartilhar seus processos de agonia e destruição.
Em alguns em raros momentos, depois da euforia do uso, pedem colo, perdão e com partilham a sua dor e arrependimentos. Isso faz de nós responsáveis e cúmplices, nos remetendo a uma responsabilidade individual pela vida deles. Como se tivéssemos a obrigação de ajudá-los a qualquer preço e ficamos mais fracos, vulneráveis e impotentes. Então, a teia de ressentimentos e mágoas que começa a ser tecida envolvida pela auto piedade, nos envolve, impedindo uma iniciativa de libertação. Tolindo nossa capacidade de ação e decisão.
Se pudéssemos, trocaríamos de lugar com eles, apenas para não os vê-los sofrer. Estaríamos certos de que, em posições diferentes, reverteríamos o quadro de destruição e que saberíamos o que fazer...
Damos o nosso melhor para convencê-los de que o que vivem não é certo, não é bom. E, quando achamos em um ápice de auto- engano, que conseguimos persuadi-los, recomeça todo o ciclo mortal novamente. Recuperamos nossa esperança apenas para perde-la no momento seguinte. Nossas expectativas irreais nos esgotam mentalmente e emocionalmente. Perdemos até mesmo a capacidade de rezar... Nossas mentes não param de trabalhar tentando achar uma solução para tudo que estamos vivendo.
Precisamos nos render, somos impotentes perante eles. Não somos culpados por nos sentirmos assim. Mas, somos responsáveis em tentar mudar o que se passa dentro de nós, colocando ação para modificar aquelas coisas que podemos.
Não podemos nos impedir de pensar ou sentirmos dor diante da situação em que eles se encontram, mas podemos não agir em função desses pensamentos e sentimentos. Precisamos não ceder aos nossos instintos protetores.
Precisamos pensar em nós e tentarmos nos colocar em primeiro lugar naquela relação. Podemos abrir mão de remoer soluções irreais e começar a entregar a situação nas mãos de quem realmente pode resolve-la: Deus!
Substituimos ódio e amor doentio, por fé e entrega.
"Desligar-se emocionalmente não significa abandono, significa que não estamos mais lutando, estamos entregando."
Saimos da frente de Deus e o deixamos agir segundo a sua vontade. Não podemos passar pelos fundos de poços juntamente com nossos adictos. Eles mesmos tem que passar individualmente. Pode ser cruel, mas a derrota é um ingrediente necessário para o inicio da rendição e da admissão que se tem um problema e até mesmo para a chegada de um pedido de ajuda.
Enquanto a família for a "facilitadora" do uso, poderá estar matando seu adicto. Aprendemos a importância da palavra NÃO!
Não podemos mudar o outro, só podemos modificar a nós mesmos. Por mais que tentemos controlar o outro, sempre fracassaremos em nossas investidas. Devemos nos perguntar até que ponto esta esgotante jornada de controle valerá a pena? Devemos ser honestos conosco, e por um instante e questionarmos: Podemos controlar nossos adictos? Podemos lidar com eles sem nos descontrolarmos a todo instante? Podemos modificá-los? A resposta é bem simples e óbvia: Não podemos controlar nossas ações, impulsos, emoções e por fim, não podemos moldar o outro a nossa maneira. Podemos mudar somente a nós mesmos e admitir isso, já é um bom começo para inicialização da recuperação da co-dependência.
"Hoje, começo a entender que o amor não pode estar condicionado a nada.
Que amor e controle juntos, não é amor, mas sim doença.
Se eu não libertar, jamais me sentirei livre também."
Devo orar por sanidade e cuidar-me através dos princípios esprituais de honestidade, mente aberta e boa vontade, Para que minha mão possa estar estendida na hora certa em que o pedido de ajuda vier.
E, que o meu emocional ,mental e espiritual estejam sincronizados, na mesma sintonia, NADA MUDA SE EU NÃO MUDAR!
O melhor sempre está por vir.