Entrevista para revista Família Cristã

Entrevista concedida a revista Família cristã de maio.




FC- Parece que desde criança você já usava medicações perigosas... Conte como começou seu envolvimento com as drogas.

DZ- O meu envolvimento com alteradores de humor, aconteceu aos 8 anos.
Eu era uma criança diferente, eu sentia assim. Ao longo de minha infância e adolescência, sempre quis estar a frente do meu próprio tempo e não obedecia limites nem regras. Queria estar em lugares diferentes, com pessoas bem mais velhas, fazendo coisas que não condiziam com a minha idade. Eu era uma criança complexada e confusa. Um dia, fui levada ao médico pela minha tia. O profissional receitou- me um remédio fortíssimo, para que fossem contidos meus impulsos. Mas algumas gotas daquela medicação, desencadearam o inicio de um processo de dependência física e psíquica. Se eu não fizesse uso da medicação, sentia falta do remédio. Eu sentia a necessidade de estar fora do meu estado normal e logo, desde nova, entrei em processo de obsessão e compulsão. As vezes, quando a medicação acabava, eu ficava trêmula. Meu organismo começou a pedir alteradores de animo, constantemente.

FC- Quando e como a situação evoluiu das medicações para o álcool e depois para a cocaína?

DZ- Aos 13 anos, precisamente na adolescência, me envolvi com o álcool. Por ser uma droga licita e de fácil acesso, aliado problemas comportamentais e emocionais, resultou em uma desenfreada e notória dependência. Uma mistura explosiva e perigosa.
Aos 25 anos, quando minha segunda filha nasceu, passei por uma crise de depressão pós - parto. Nesta época, meu primeiro casamento estava ruindo e eu estava completamente, perdida e deprimida. Então, comecei a fugir de casa. Eu ia para a casa de uma pessoa da minha família, que na época, usava drogas ilícitas (cocaína) e pensei, mergulhada em auto- engano, que por um instante, eu poderia esquecer- me um pouco tudo que estava vivendo, usando algumas doses daquela droga também. Mas eu não tinha consciência de que meu organismo era predisposto a desenvolver dependência e mergulhei de cabeça, em um mundo perigoso, sombrio e hostil, e foi muito difícil sair dele.


FC-Quais foram as piores fases e as situações mais sofridas durante o período em que se envolveu com as drogas?

DZ-Aos poucos, a cada dia eu usava mais doses para me manter afastada da realidade. Comecei a sentir cada vez mais dor, medo e frustração. Os alternados estados de euforia antes, e a depressão pós- uso, me esgotavam emocionalmente. Quando tentei parar por conta própria, percebi que já não podia, eu estava em uma queda desenfreada, rumo ao precipício.
Meu desejo de usar era tão incontrolável que coloquei o uso de drogas acima de tudo e todos, principalmente acima de eu mesma. Comecei a viver para usar e usar para viver. Descobri que uma dose era demais e que mil doses não me bastavam. Descobri que eu não funcionava com ou sem drogas, vivia uma vida vazia e sem sentido.
Eu havia me tornado escrava das drogas e não podia conter meus impulsos e minha mente adoecida, que obsessivamente, exigia mais drogas. Perdi meu casamento, após quase 10 nos casada, meus filhos, vendi tudo de dentro de casa para comprar drogas e me entreguei aos braços da decadência e da morte, sem esperanças de um recomeço. Era como se minha vida fosse um punhado de areia presa em minhas mãos, e eu a via saindo por entre meus dedos, dia após dia, e não tinha forças para estancar aquele sofrimento. Emagreci mais ou menos 30 quilos. Me tornei uma pessoa mórbida e profundamente adoecida.
Fui parar em um hospício involuntáriamente, onde uma junta medica, me diagnosticou: Esquizofrênica, maníaco depressiva e dependente química, em ultimo estagio. Minha família, foi advertida por tais profissionais, que meu caso não teria volta. Que minha vida dali para frente seria viver no hospital, internada e fora de convívio social. Eu não sabia como reverter aquele quadro, não tinha forças para pedir ajuda. Eu queria parar de usar, mas a droga havia se tornado a coisa mais importante em minha vida. Passei por coisas terríveis como overdoses, paralisia facial, hemorragia digestiva, tentativas de suicídio, pensei realmente ter chego ao fim da linha. Cheguei a acreditar que meu estado era realmente irreversível.



FC- Quando "caiu a ficha"? Como conseguiu se livrar do vício?

DZ- Eu só tomei consciência do que eu estava fazendo com a minha vida, quando estava na minha segunda internação, em um hospício. Um dia parei e pensei: O que eu estou fazendo com a minha vida? Conheci um grupo de mútua- ajuda, (12 passos) e foi um alívio quando os ouvi falar de adicção e que ela não é uma deficiência moral e sim uma doença do físico, mental e espiritual.

O aspecto físico da doença é a compulsão (uma vez iniciado o uso de qualquer substância que altere o humor, a pessoa não consegue mais parar).

A parte mental da doença é a obsessão (é a idéia fixa, que leva o adicto sempre de volta a primeira dose).

E a parte espiritual da doença é o total egocentrismo (o adicto só pensa nele, e passa por cima de qualquer um apenas para continuar usando, mesmo sofrendo as piores conseqüências ).

FC-Como surgiu a idéia de escrever o livro?

DZ- Através de um site de relacionamento, comecei a desenvolver a idéia de dividir com as pessoas, um pouco de esperança. Nunca escondi de ninguém o que passei, nem meu desempenho diário, para recuperar - me. Acabei atraindo a atenção de muitas mães, que me enviavam pilhas de e-mails, todos os dias. Escrevi sem pretensão profissional, com simplicidade e verdade. E, é por isso, que meu livro tem sido o sucesso que é, pois leva a mensagem de força, fé esperança. É possível parar de usar, perder o desejo e encontrar uma nova maneira de viver.



FC-Como ajudar um jovem que está enfrentando problemas com drogas?

DZ- Primeiramente a própria pessoa precisa se ajudar. Só o mesmo tem o poder de tomar a decisão de parar. A família pode auxiliar, procurando ajuda para si também, em grupos de 12 passos, com propósito familiar.


FC-Qual é o objetivo do livro?

DZ-Como disse anteriormente, eu não tinha nenhuma pretensão de tornar- me uma autora de livros de auto- ajuda, e, no entanto estou terminando de escrever o terceiro livro. Não sei os desígnios de Deus em minha vida, mas estou me resignando a cumpri-los. Acho que viver minha vida simplesmente deixando para trás toda esta historia de sofrimento com e minha historia de recuperação diária, seria puro egoísmo. Sei que existem milhões de pessoas, que sofrem e é meu dever dizer- lhes que existe uma saída, basta o adicto querer. Hoje, eu levo uma vida bastante tranqüila e confortável, com uma família linda e feliz. Seria bem mais fácil varrer toda essa sujeira do passado e simplesmente tocar minha vida, tentado esquecer o que vivi. Mas será que foi para isso que Deus me salvou? Tenho certeza que não! Pois tantas pessoas tentam parar( mas não se rendem, por isso não conseguem) e morrem sem desfrutar desta nova maneira de viver. Sinto que fui privilegiada em ter tido mais uma chance de recomeçar. Falo também aos jovens, que :
A adolescência em si é uma fase da vida complicada. Pois o jovem necessita quase sempre de aprovação dos outros. De auto – firmar- se e encontrar o seu próprio eu. Digo- lhes por experiência própria, que passem por esta fase, conscientes de si mesmo e do mundo a sua volta. Sabendo que tudo que fizermos errado, pagaremos mais cedo ou mais tarde, o preço. Contenham sua curiosidade por drogas, questionando sempre seus pensamentos em relação a experimentar, pois quase sempre o uso é fatal. O preço é, sem exceção alto demais. Existem drogas que viciam logo na primeira vez de uso. A droga é o mal do século. Elas adentram nossas casas, com apelos no mínimo atrativos aos olhos dos jovens. Como por exemplo o álcool. Digo lhes também, que não façam distinção de drogas "leves ou pesadas" ( incluindo o álcool e a maconha). Pois, usar drogas é fazer roleta russa com a própria vida.
Não existem meios seguros de usar qualquer tipo de droga. Usar drogas é morrer em todos os sentidos, suicídio lento.
O álcool que é considerado lícito, é vendido por alguns centavos, está aí, na mídia, passando a contraditória imagem de alegria, através da mídia. Vendendo a idéia de que é normal embebedar se. Que divertimento, descontração, amigos e liberdade, podem ser obtidos através de algumas inofensivas doses. A realidade não é bem essa... Existem centros de tratamento, clínicas super lotadas de pessoas que começaram a usar através de uma brincadeira e depois descobriram que não podiam mais parar.










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