Drogas leves? Como assim?





Drogas leves? Como assim?

“Algumas pessoas minimizam o uso da maconha,
porque acham que é uma coisa natural.
Ora, veneno de cobra também é bem natural...”

Darléa Zacharias

Não gosto e nem devo me aprofundar em questões alheias,
mas não poderia deixar de falar do uso de uma droga
que muita gente acha light e inofensiva: a maconha!
Vejo algumas pessoas defenderem o uso desta droga veementemente, tudo bem, isto é um direito delas, mas eu particularmente tenho a minha opinião sobre esta questão.
Segundo o médico Anthony Wong, em uma entrevista concedida ao dr. Dráuzio Varella, “Muita gente diz que maconha não faz mal e não vicia. Afirmam que a dependência é apenas psicológica e que, portanto, o usuário consegue abandonar a droga quando quiser. Quem pensa assim está enganado. Maconha vicia, sim. No meu consultório, atendo adolescentes levados por pais preocupados com o fato dos filhos estarem fumando maconha. Embora nenhum desses adolescentes se considere viciado, a todos proponho o mesmo desafio: 90 dias sem fumar um único baseado sequer. Como controle, a cada quinzena devem fazer um exame para verificar se há ou não traços de canabinol na urina. Nunca houve um que apresentasse resultado negativo”, afirmou o médico.
Segundo Içami Tiba, conferencista, escritor, médico,
orientador educacional, psicodramatista, psicoterapeuta e psiquiatra brasileiro, muitos profissionais que lidam com jovens usuários crônicos de maconha diagnosticam, com preocupante constância, crises psicóticas aliadas a estados depressivos com tendências suicidas. Se a maconha não provoca mortes diretamente, pode, sem dúvida, provocá-las indiretamente, pelos efeitos do uso prolongado e/ou concomitante com outras drogas. Por isso, a maconha não deve ser debitada a exclusividade de um índice maior de suicídios entre seus usuários.
No ano passado, a polícia do Rio de Janeiro estourou uma “boca de fumo” onde encontrou “craconha”. Mistura de crack com maconha, o mix que compõe “o produto” leva solvente, ácido, talco, mármore e outros componentes menos nobres
ainda. O uso de maconha com álcool é comum e conhecer os processos usados pelo organismo para metabolizar a droga é suficiente para saber por que o corpo vai à lona e pode não se levantar mais: alguns canabinóides deprimem o centro do vômito que, como se sabe, é uma espécie de defesa do indivíduo alcoolizado para eliminar o álcool do organismo; ora se o vômito não ocorre, por estar deprimido o seu centro pela ação do risco de morte é muito mais pronunciado.
O dr. Mitchell Rosenthal, diretor do Phoenix House, de Nova
York (*), a maior instituição de tratamento de usuários de drogas dos EUA, enuncia, como que referendando o alerta do dr. Roig, que “inúmeros adolescentes e jovens não vão amadurecer como deveriam, não terão os ganhos intelectuais que deveriam ter nos seus anos de crescimento, não se tornarão os cidadãos produtivos e capazes de que a sociedade precisa”. E o uso de maconha colabora decisivamente para isso. Para ilustrar, o dr. Mitchell tira do jaleco uma conclusão extraída de pesquisas americanas que demonstram que “crescem as evidências de que, entre os adolescentes e os jovens, a maconha é uma das maiores causas de problemas psiquiátricos que os EUA vêm enfrentando”. Corroborando a assertiva do médico, o NIDA — National Instituteof Drug Abuse (Instituto Nacional de Abuso de Drogas, dos EUA) informa que “a cada ano, aproximadamente, 60 mil pessoas que vivem com os pais, procuram tratamento para problemas relacionados ao uso da maconha. Esse tratamento, geralmente ambulatorial, dura quatro meses em média, registrando um índice de retorno de cerca de 20%.” Entorpecidos pela ação da maconha e drogas acessórias, o adolescente poderá fazer emergir uma pessoa com conceitos distorcidos. O cérebro espremido e afetado por anos de uso das drogas buscará referenciais dos momentos em que não estava afetado, levando o usuário a comportamentos incompatíveis
com sua idade. Ele simplesmente para de amadurecer e crescer no momento em que começa a se drogar. O dr. Jason Baron, diretor médico do Hospital “Deer Park”, de Houston, EUA (*), que trata exclusivamente de usuários de drogas na idade de 14 a 25 anos, relata: “muitos jovens quando param com a maconha tentam retornar ao tempo, felizmente, com tratamento adequado, pode-se ensinar-lhes certas habilidades que lhes permite recapturar a falta dos anos da infância ou adolescência perdidos. Tenho visto usuários de drogas de 18 anos ou mais que quando se livram da maconha começam a brincar de carrinho e bonecas”, conclui. O dr. Roig postula uma tese mais sombria ainda, quando afirma que a sociedade de hoje, por estar saturada, está descuidando das novas gerações. “Quando há saturação, a sociedade começa a machucar as novas gerações”. Ele fala de permissividade. É como se fosse à lei da evolução natural. A falta de controle dá raízes esquálidas e imaturas, mas abundantes, a uma geração que não está muito preocupada em herdar bons valores, não se agredir e nem aos outros. São essas pessoas, sem o menor verniz de cidadão (até porque, no caminho em que se encontram, não sabem o que é cidadania), que moldarão as próximas gerações.
“Podemos prever o crescimento de uma população de imaturos, adultos não qualificados, vários deles incapazes de viver sem um suporte social, econômico e clínico; com o tempo, teremos um número inimaginável de cidadãos emocional, social e intelectualmente deficientes”, sinaliza o dr. Rosenthal. Então, será que devemos assistir passivamente aos herdeiros desse mundo bebendo, fumando, injetando e inalando a morte em nome de uma individualidade torturada e entortada pelas drogas?”
Falar de tipos de drogas é complicado, pois pelo que aprendi com o programa de 12 passos, a adicção é uma doença que não distingue substâncias. Ela não pré-determina fatores químicos. Tudo que entrar no organismo e alterar o ânimo e o humor fará com que a doença progrida. Então, só posso falar das experiências que vivi, e do que presenciei todos estes anos em que venho frequentando grupos de ajuda mutua e também fora deles. “Observei pessoas usarem por “pouco tempo” e perderem tudo. Conheci outras que levaram anos usando até encontrarem o seu primeiro fundo de poço. Vi usuários de cocaína, heroína e crack encontrarem a recuperação e adictos a maconha morrerem sem conseguirem ficar limpo.”
Segundo o Texto básico (literatura de 12 passos), embora a
adicção seja uma doença basicamente igual para todos os adictos, o grau da doença, o estágio e o ritmo da recuperação, varia de pessoa para pessoa. O problema não é quais as substâncias usadas e, sim, a doença da adicção que leva a pessoa ao total estado de escravidão por causa da obsessão e da compulsão.
A doença da adicção, só poderá ser detida através da completa abstinência de todas as drogas, incluindo o álcool e a maconha. Para um adicto não existe este papo de separar as drogas leves das pesadas, porque o nosso organismo não consegue fazer tais divisões e a única maneira de não voltar a adicção ativa é não usando a primeira dose de qualquer tipo de substância que altere o nosso animo e humor. Pois, para o obsessivo compulsivo, uma dose é demais e mil não bastam. E, isso é inegociável.

Trecho do livro "Inimigo Oculto" de Darléa Zacharias

Para ler mais sobre este texto compre o livro através do site:www.darleazacharias.com.br

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