Eu vi a cor do fundo do poço!


Falo sobre a minha experiência com drogas, nada mais. Não falo profissionalmente ou baseada em pesquisas no google. Falo da vida real, do que passei, do que vivi.



Acredito que todo ser humano tenha jeito!
Falo isto baseada em minha própria história.
Comecei a usar drogas ilícitas aos 25 anos.
Minha família ficou perdida. Não sabiam como proceder.
Meu ex marido, na época, sendo militar, faltou quase 6 meses 
de trabalho. Tentando me ajudar, ele quase foi expulso do quartel.

Mas, quem tinha que me ajudar era eu mesma.
Eu prometia a eu mesma e para minha família que não iria mais usar, e quando prometia, eu acreditava em minhas promessas, mas não consegui cumpri las. 
Meu desejo de usar drogas era incontrolável e eu tinha que usa las. Pois era uma dependência física, orgânica, mental e espiritual.
Se eu não as usasse, passava mal, tinha crises de abstinência.

Por fim, depois de tantas mentiras de minha parte, meu marido( na época) foi embora com a roupa do corpo, depois de 10 anos de casamento e dois filhos.
Minha mãe, coitada, andava pelas favelas do RJ com minha foto nas mãos, me procurando, mas eu fugia. Eu não queria encarar a minha realidade e nem ter que abrir os olhos para toda aquela burrice que fiz.

Eu só comecei a perceber que estava sozinha, com meu uso, e a ver que eu tinha chegado ao fundo de poço, quando minha família começou a construir uma cerca, se protegendo de mim, de minhas manipulações e mentiras.

As vezes, a família tentando ajudar o dependente, acaba facilitando seu uso.
O fazem por inexperiência e total inabilidade.
Costumo dizer que amor demais "mata o adicto". 

Minha família não havia desistido de mim, eu que havia desistido.
Eles tiveram que deixar que eu encontrasse meu "fundo de poço". mesmo que isso fosse extremamente dolorido. Eles precisavam admitir que era impotentes perante meus comportamentos e diante do meu uso e procuraram ajuda para si próprios em grupos voltados a estes propósitos .

A recaída pode ser um processo detonador que possibilita o dependente reconhecer que não é mais possível o uso, que perdeu ocontrole e a partir daí , restabelecer um novo caminho.
Mas não é necessário recair, existe um programa de 12 passos perfeito e quem o pratica em sua essência, não recai.

A família, os amigos tendem a decepcionar se, mas não deverá perder as esperanças.

Ame o adicto com todas as forças, mas o deixe escolher.
pois, somente ele poderá decidir recuperar se ou seguir até o amargo fim.
Acho que este assunto 'DROGAS" de um modo geral, deva ser um assunto corriqueiro no seio familiar e nas escolas. Inserido de forma sutil e realista na vida da criança, desde cedo.
No meu caso, tenho dois filhos, uma menina de 14 e um rapaz de 20.
Desde que eles eram pequenos, mais ou menos com 8, 9 anos, eu comecei a falar lhes abertamente sobre drogas. Falava com seriedade de drogas e seus efeitos. Sempre enfatizando o risco, com uma conotação de responsabilidade para as escolhas que eles viessem a fazer, ao longo de suas vidas.

Sempre expliquei o perigo que é envolver se com qualquer alterador de humor, (inclusive, o álcool e a maconha). Citando meu próprio caso e vários outros casos, como exemplo, até mesmo alguns casos que eram expostos pela mídia todos os dias.

Meus filhos, sempre tiveram a liberdade de pedir informações sobre qualquer tipo de droga. 
Eu sentia que havia uma curiosidade da parte deles em saber mais e sempre tive medo que eles aprendessem errado.
Aprendessem com outros jovens que sabiam menos que eles, ou que tivessem informações totalmente distorcidas, tais como as que tive, na idade deles.
Acho que a mídia, empurra uma imagem para o jovem que beber é divertido. Que o cara com uma latinha nas mãos é um cara feliz e que vive rodeado de amigos.

Nas baladas aqui perto de casa, a cerveja chega a ser vendida a 25 centavos.
Meus filhos vendo isso, hoje, já depois de muita orientação de minha parte, começaram a reconhecer verdade no que eu falava, e desenvolveram suas próprias opiniões, inclusive achando isso um absurdo.

Fico feliz em ter conseguido passar "valores" a eles, mesmo tendo consciência do quanto errei no passado.

Acho que as escolas deveriam contratar palestrantes, pessoas ligadas a área de saúde, ou até mesmo profissionais, para falarem aos alunos sobre o prejuízo, físico, moral, intelectual e espiritual do uso.
Mostrarem jovens destruídos, por seus comportamentos inadequados que fatalmente os levaram ao uso.

Pois a adicção é uma doença também comportamental, e o sintoma mais óbvio, é o uso de drogas.
Existem muitas coisas a serem feitas no sentido de prevenção.
Orientação constante e verdade nua e crua devem ser aliados tanto de pais como de educadores.

Acho que os pais também deveriam participarem de tais aulas pais.
Pois, este tema ainda é tabu para muitos. Conheço pais que ainda mudam de assunto quando o filho pergunta sobre algum tipo de droga. E até mesmo acusam seus filhos de estarem usando pelo simples fato de demonstração de curiosidade.

Já é tempo de retirada do véu da ignorância.
devemos sim falar de danos, efeitos, causas, e consequencias do uso de drogas ilícita ou não!
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Darléa Zacharias 
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